O que é a Rede Universidade Nômade

Atividades 2003 e 2002 Revista GlobAL e revista Lugar Comum Seminários Nômades

Giovedì 19 agosto 2004
Revista GlobAL America Latina

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1. O que é a Universidade Nômade
A rede de movimentos Universidade Nômade é uma ’rede de redes’ composta por núcleos e grupos de pesquisa, militantes de pré-vestibulares populares, movimentos culturais, filósofos, artistas, etc. Pretendemos constituir uma pauta comum de discussão e debate em torno dos grandes temas ligados aos desafios da ’mudança’ que marcam esse início de década no Brasil, em particular os relativos à universalização dos direitos e do acesso aos meios para a produção do conhecimento. Sabemos que é em torno da produção e da difusão do saber que se organizam, hoje em dia, as redes de cooperação social produtiva que desfiam os antigos e os novos dispositivos através dos quais o poder perpetua a exploração. Diante disso, a Universidade Nômade almeja a produção de conhecimento de maneira transversal : em relação com o fora, rompendo as cercas que separam o trabalho intelectual (acadêmico) do trabalho em geral (manual, subordinado).
O nômade, com efeito, desenha um outro espaço, um espaço aberto, sem cercas nem propriedade. O nômade produz um outro tipo de conhecimento, um contra-saber adequado ao seguinte desafio, extremamente atual: como encontrar uma unidade pontual das lutas sem com isso cair em uma organização despótica e burocrática, como a do partido ou a do aparelho de Estado?
Nesse sentido, o nomadismo de que se trata aqui pode ser desmembrado em duas direções. De dentro para fora , a Universidade pode refundar sua dimensão pública, abrindo brechas nas cercas que produzem e reproduzem as velhas e as novas formas de subordinação. No mesmo movimento transversal, mas de fora para dentro , a Universidade Nômade visa colocar a produção do conhecimento em ligação direta com o trabalho da resistência: o dos movimentos sociais múltiplos que constróem máquinas de produção contra os aparelhos estatais e corporativos de perpetuação da desigualdade social e racial.
Nas questões do ensino, em geral, e do ensino superior, em particular, a crítica à ideologia do mercado, e de seu simulacro de espaço público, deve ligar-se, com urgência, aos movimentos que lutam contra a abusiva identificação entre o "público" e o "estatal", identificação esta que o corporativismo de todos os tipos cultiva cuidadosamente. Nômades, como o movimento dos pré-vestibulares para negros e carentes ou os movimentos culturais dos jovens oriundos da segregação urbana, são os que produzem o sentido do público. As políticas afirmativas constituem, portanto, um instrumento fundamental para abrir o espaço cercado do poder (acadêmico) ao território público do saber (universal).
As condições injustas de acesso ao ensino superior constituem mecanismos fundamentais de perpetuação e de naturalização da desigualdade e do racismo que assolam o pais e que devem ser desmontados aqui e agora . A não democratização do ensino superior é um dos limites fundamentais ao seu próprio desenvolvimento. Neste sentido, contrariamente aos que defendem uma Universdade elitista da qualidade contra a quantidade, afirmamos o princípio de que, em termos de conhecimento, é a quantidade o que gera a qualidade , e consideramos que todo discurso que se oponha a abertura do acesso (a quantidade) à manutenção da qualidade (para poucos) é antidemocrático e desmentido pela força dos fatos. A produção científica e a inovação são também fenômenos sociais, que dependem inteiramente da capacidade do sistema democrático de mobilizar massivamente seus recursos cognitivos.
Universalizar o direito à Universidade significa, hoje, repensar e refundar suas bases públicas (a universitas , a comunidade) de fora para dentro, isto é, a partir da multidão dos excluídos que lutam para furar a cerca. Mas, ao mesmo tempo, refundar as bases sociais da Universidade, isto é, torná-la efetivamente pública, implica em transformar a natureza dos processos de produção e de difusão do conhecimento, ou seja, em produzir um saber nômade, ou melhor, um contra-saber de lutas que, unificando-se, potencializam suas múltiplas possibilidades de ação. Produzir e difundir o conhecimento são momentos que se misturam de maneira irreversível. Universalizar os direitos, enfim, significa também em produzi-los!

2. Atividades da Universidade Nômade em 2003 e 2002
Antonio Negri no Brasil e Argentina - Organização da série de conferências e encontros do filósofo italiano Antonio Negri no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Buenos Aires.

A partir de 13 de o utubro de 2003 Dia 13 de outubro - Conferência Antonio Negri no Rio de Janeiro. Local: Palácio Gustavo Capanema Rua da Imprensa. 16 primeiro andar. Centro

3. Lançamento da Revista GLOB ( AL ) n. 1 dia 13 de outubro a partir das 17h antes da conferência de Antonio Negri. Local: Palácio Gustavo Capanema Rua da Imprensa.

4. Seminários Nômades (2003) - Organização de uma série de 12 seminários em torno do tema "Universalização dos Direitos". Oficina no Fórum Social Mundial e lançamento da Revista Global número zero em janeiro de 2003

5. Oficina no Fórum Social Mundial: O MOVIMENTO DOS MOVIMENTOS - Com a participação de Michael Hardt, Naomi Klein, Luca Casarini, Giuseppe Cocco, Ivana Bentes, Ericson Pires, Tatiana Roque, Suely Rolnik , entre outros. Porto Alegre. Janeiro de 2003.

6. Revistas Global e Lugar Comum

Revista GLOB ( AL ) número zero - GLOBAL America Latina é uma Revista da Rede Universidade Nomade desenvolvida em parceria com GLOBAL MAGAZINE(Italia) - Lançada em Porto Alegre no Forum Social Mundial de 2003

Revista Lugar Comum n. 17

Revista Lugar Comum n . 18

Distribuição Revista Lugar Comum: editor@e-papers.com.br

7. Livro Publicado - "O TRABALHO DA MULTIDÃO: Império e Resistência" Editora Griphus. 2002 - coletânea de textos apresentados no Seminário Aberto de 2002. Textos de Antonio Negri, Peter Pál Pelbart, Suely Rolnik , Ivana Bentes, Mauro Sá, Maurício Rocha, Tatiana Roque , Giuseppe Cocco, Graciela Hopstein, Paulo Vaz , Simone Sampaio, Fábio Malini

8.Seminários de 2002
Tema: "O trabalho da multidão: império, biopoder e resistência "
Local: Museu da República. Rio de Janeiro -Seminário aberto reunindo pesquisadores e teóricos de universidades e movimentos sociais. 27 palestras de maio a dezembro de 2002 em torno de algumas idéias e conceitos a partir da obra de Antonio Negri e Michael Hardt, Império, e seus desdobramentos no pensamento, na arte e nos movimentos socias no Brasil.

9. Evento: Resistências - Colóquio transdisciplinar - Cine Odeon 2002 filosofia música artes plásticas cinema poesia manifestos . Organização geral: Tatiana Roque

Mais infos: universidade_nomade @yahoo.com.br